Segunda-feira, 06 de setembro de 2010
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29/07/2008
Fazer faculdade exige planejamento

Os gastos no ensino superior não estão restritos ao pagamento da matrícula e das mensalidades. Mesmo quem estuda em faculdades e universidades públicas ou recebe ajuda dos programas de financiamento do governo federal (Fies e ProUni) precisa arcar com os custos dos livros, do xerox, da impressão de trabalhos e dos materiais e equipamentos exclusivos da graduação escolhida. Calcular previamente essas despesas é importante para que o orçamento da família não fique estrangulado e o estudante acabe precisando abandonar o curso.

Aluna do terceiro ano de Publicidade e Propaganda da UFPR, Bárbara Pilati Lourenço, 20 anos, diz que na época do vestibular não analisou como seria a sua vida financeira após iniciar a graduação. “O que mais me assustou foi o preço da impressão dos trabalhos práticos. Os professores exigem o uso de papéis específicos, nem sempre fáceis de encontrar, e a impressão precisa ser feita em locais especializados. Também temos de comprar filmes fotográficos e pagar a revelação das imagens”, afirma. A estudante calcula ter gastado R$ 45 no último trabalho de fotografia – R$ 8 do filme, R$ 17 da revelação e R$ 20 das baterias da câmera, que é emprestada pela universidade.

Para economizar, Bárbara evita comprar os livros didáticos do curso. “Pego emprestados os livros da biblioteca e tiro fotocópia dos capítulos pedidos pelos professores”, diz. Ela conta que os gastos se tornam maiores a partir do segundo ano, quando começam as matérias de produção gráfica, mas não sabe determinar com precisão quanto desembolsou até agora com a graduação.

Estudante do quarto ano de Desenho Industrial (com habilitação em Projeto de Produto) da PUCPR, César Augusto Lima Júnior, 21 anos, também nunca colocou na ponta do lápis os custos com os trabalhos da faculdade. Segundo ele, porém, os alunos da rede privada não estão livres das despesas extras, que são graduais e aumentam de um ano para o outro. “Gastei mais no segundo e no terceiro ano porque tive de fazer protótipos. Mas as despesas também variam conforme o grau de exigência do aluno com relação a seu próprio trabalho. Às vezes é preciso construir um modelo mais de uma vez para que ele fique bom”, afirma. O diretor do curso de Desenho Industrial da PUCPR, Jaime Ramos, estima que são necessários de R$ 50 a R$ 100 por mês para as disciplinas práticas da graduação. Ele explica que os trabalhos teóricos podem ser digitados e impressos na universidade, mas o desenvolvimento de produtos deve ser bancado pelos estudantes. “A PUCPR oferece os equipamentos, a estrutura para a construção dos objetos, mas o material deve ser comprado pelo aluno”, explica.

Segundo Ramos, o estudante consegue economizar se for criativo e souber reaproveitar materiais. “O aluno tem liberdade de escolha. Se o tema do trabalho é ‘cadeira’, é possível desenvolver desde uma banqueta até um sofá. Da mesma forma, o projeto de um automóvel pode ter como resultado uma miniatura ou um modelo em tamanho real. Além disso, não trabalhamos com material padrão. O estudante pode fazer uma poltrona com objetos recicláveis, reduzindo os custos”, exemplifica. Outra alternativa, segundo Lima, é buscar patrocínio para a fabricação dos produtos.

Computador

De acordo com o diretor do curso de Arquitetura e Urbanismo da PUCPR, Carlos Hardt, é importante que o aluno adquira o seu computador ao longo da graduação. “Temos um laboratório de informática exclusivo para os estudantes de Arquitetura, mas, como o curso exige muitos trabalhos extra-classe, o ideal é que eles tenham seu próprio micro”, aconselha. Segundo o professor, os custos com materiais específicos da área, como esquadros, pasta e compasso, não ultrapassam R$ 500.

Investimento de R$ 3 mil por ano em Odonto

Quem sonha em cursar Odontologia precisa estar preparado para o alto custo da graduação. Um consultório requer uma série de instrumentos e esse material deve ser adquirido ao longo da faculdade. “No curso de Odontologia da Universidade Po-sitivo, o aluno faz atendimentos a pacientes e tem aulas práticas de laboratório desde o primeiro ano, quando precisa comprar aproximadamente 50 instrumentos, como brocas, espelho e sonda. Normalmente ele gasta cerca de R$ 3 mil por ano com os equipamentos”, afirma a coordenadora da graduação, Maria da Graça Kfouri Lopes. Segundo ela, só aquele temido motorzinho custa cerca de R$ 1,5 mil. Na UFPR, o aluno também precisa adquirir os instrumentos de uso individual. Já o material de consumo, como resinas e amálgama, é fornecido pelas universidades. (MC)

FONTE: Gazeta do Povo 28/07/2008

 

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